terça-feira, fevereiro 09, 2010

tentação (1ª parte completa)

Deixo-vos a primeira parte do conto "Tentação"
Espero que tenham gostado.
Espero que não tenha ofendido ou melindrado alguém. Não era essa a intenção.
Não passa disso mesmo, de um conto de ficção.

1. Triste é o mundo sem luz. Triste é a eternidade sem o amor. Triste são os homens que adoram imagens profanas. Ilusões simbólicas que personificam os seus pseudo deuses fictícios, imaginários, vis e mesquinhos! A carne é fraca, a alma é forte. Mas no corpo do homem a alma acompanha a carne. Torna-se fraca até ao dia da libertação. Até à hora da sua morte. Mas mesmo assim o filho de Adão sabe gerar criaturas divinas, belas, sensíveis, tentadoras. Mariah é uma delas!

2. Mariah, jovem mulher teve de deixar a sua casa muito cedo para acompanhar Joseph, homem feito, carpinteiro de profissão. Menina e moça sentia-se envergonhada na sua presença quase não falando duas palavras seguidas. Ele, mais velho quase cinquenta anos, respeitava-a e tratava-a com carinho. Não era normal nos homens daquele tempo que normalmente tratavam com desdém as mulheres, fossem elas mães, irmãs, ou suas mulheres como era o seu caso. Viviam numa casa típica de adobe e barro! Ela passava o tempo a tratar da horta e a cuidar da roupa e do alimento de seu homem. Joseph visitava potenciais clientes para arranjar algo fora do orçamento. Se bem que pouco necessitava disso já que os romanos eram o seu principal cliente. O exército preferencialmente. Todos os meses fazia cruzes de madeira para os suplícios. E era feliz. Desde que a sua amada morrera, pensou que iria envelhecer sem ninguém a seu lado. Mas Mariah, que ele tinha pegado ao colo quando nascera, não tinha pretendente. Os pais andavam desesperados ao ver que a filha, mulher já com catorze anos feitos ainda não era casada. Era extremamente bela e isso fazia com que os homens fugissem da sua beleza estonteante. Pele alva, branquíssima, para as mulheres daquele povo, daquela raça, olhos cor de mel, brilhantes e tristemente sedutores deixavam qualquer homem sem confiança. Por isso Joseph avançou. A beleza de Mariah não o hipnotizava já que o coração dele ficara para sempre com a mulher que o deixara para ir ao encontro do único Deus! Apenas queria alguém que cuidasse dele e o acarinhasse quando a força e vigor o começassem a deixar. Nada mais lhe pedia.

3. Observava-a em segredo, fosse de dia, fosse de noite. Nas sombras escondia-se admirando o seu corpo belo e escultural escondido debaixo de roupas que para ele não passavam de andrajos velhos e sujos. Tinha a capacidade de ver mais além, de ver o que aquelas roupas escondiam... e gostava do que via! Sentia-se atraído pelo aroma emanado por aquela filha de Adão, pela sua figura, pelas suas carnes...!
Anjo caído, vagueava pelo mundo dos Homens em busca do perdão de Deus, em busca da Salvação, do regresso ao seu Reino, ao Reino do Senhor, ao Reino do Amor. Mas para isso teria de praticar o bem, ajudar os necessitados e nunca causar mal ou dolo aos Filhos de Adão. Não lhe era permitido olhar para as mulheres, seres frágeis e proibidos por Deus. Sabia-o perfeitamente.
Outros houve antes dele que não resistiram e caíram na tentação da carne.
Antes de a ver, achava isso impossível... mas Mariah era uma enorme tentação!

4. Os dias passavam, as semanas corriam e nada de anormal se passava, sempre a mesma rotina, sempre a mesma vida.
E assim se fez um ano de casados aos olhos de Deus.
Mas Mariah sentia uma vontade estranha que não sabia explicar.
E com a vontade vinham pensamentos impuros.
E com os pensamentos impuros vinham os desejos!
Tinha vergonha de expor a sua mente ao marido por isso fazia de sua mãe, confidente. A mãe preocupada, por saber que Joseph nunca iria satisfazer Mariah como mulher, tentava tirar-lhe isso da cabeça.
Dizia que era o Demo a tentá-la e a filha ouvia e acreditava que assim era.
E Joseph nem reparava que a mulher precisava de algo mais que um sorriso, que um obrigado depois das refeições, que um até amanhã ao deitar.

5. Nessa noite, Mariah dormia só.
Joseph teve de se deslocar ao forte romano para recuperar uma paliçada e pernoitava por lá.
Já não era a primeira vez que dormia sozinha.
Mas naquela noite sentia-se diferente.
Estava calma, repousada e os pensamentos impuros que tinha constantemente não invadiam a sua mente.
Ouviu algo, ou melhor, pressentiu algo. Mas manteve-se estranhamente calma.
Apareceu do nada. Uma luz brilhante encheu a sua casa e da noite fez-se o dia.
Era belo. Estranhamente belo. Nunca tinha visto ninguém assim.
Com um aspecto andrógino, mas extremamente belo.
No ar estava um aroma impossível de definir. Aroma esse que a fazia sentir-se ainda mais atraída por ele.
Não sabia dizer quem ele era, nunca o tinha visto, mas no fundo da sua mente sabia o que ele era.
Um verdadeiro predador. E estava pronta para se entregar.
Ele sorriu, tocou com suas longas e experientes mãos no seu corpo, abriu as asas de Arcanjo e deitou-se sobre ela amando-a e servindo-se do seu corpo a noite toda!

Entretanto lá longe, Joseph dormia o sono dos justos depois de ter recuperado e erguido a paliçada romana. A seu lado descansava um soldado romano com as pernas entrelaçadas nas dele...
...não era só a paliçada que Joseph erguia aos soldados romanos desde que ficara viúvo...

6. O tempo passava e aquilo andava a roer por dentro. Tinha de falar com o marido antes que acontecesse uma desgraça. A mãe de Mariah sentia que, para bem da filha, tinha de fazer algo. Falou com o esposo e colocou-o ao corrente da situação. Ele ouviu, suspirou e acedeu, preocupado em falar com Joseph. Deslocou-se a sua casa e chamou-o. Intrigado, por seu sogro o visitar a uma hora de trabalho, foram vagueando pelas ruas da aldeia para poderem conversar.
O pai de Mariah, com algum receio, explicou que ela andava com sonhos impuros, eróticos, molhados e que necessitava urgentemente de um homem.
Ficou chocado com o que o seu sogro lhe dizia. Nunca pensara ouvir aquilo de sua boca. Mesmo não estando para aí virado, concordou. Explicou que nunca o fizera porque Mariah era apenas uma companhia doce e terna. Nunca olhara para ela como uma mulher necessitada do toque carnal de um macho! Mas aceitava as razões do sogro e ia fazer o papel que lhe cabia no leito conjugal.
Pelo menos ia tentar, pensou!

7. A noite estava quente. A luz da lua e de milhares de estrelas faziam com que a noite parecesse dia.
Esperou que chegasse a hora de deitar.
Quando se recolheram ao leito, ambos disseram que queriam falar um com o outro.
Ela nervosa, enrubesceu e ele apenas sorriu.
Como mulher, obediente e respeitadora como era hábito e tradição naqueles tempos, silenciou-se e esperou que seu marido dissesse o que tinha a dizer.
Explicou-lhe que falara com seu pai.
Ela foi ouvindo. E quanto mais ouvia, mais um esgar de pânico se assomava na sua cara.
Ao vê-la em pânico, tentou acalmá-la, pensando que estava assustada por ter de se deitar com ele como amante. “Não te preocupes, Mariah, não te magoarei e não farei nada contra a tua vontade. Se não quiseres, podemos fingir que aconteceu!” “Não é isso, Joseph, meu senhor.” “Então o que se passa?” “Acho que estou... grávida!”.
Joseph a principio ficou quedo e mudo, tendo o sangue desaparecido da sua face.
Até que começou a enrubescer, a ferver, a enraivecer. Um grito de raiva saiu da sua garganta, tirou o cinto selvaticamente da cintura e chicoteou-a até não ter força nos braços.

8. A manhã nasceu com Mariah agonizando no chão de sua casa. Estava mais uma vez só, mas desta vez por razões diferentes. A sorte dela é que o cinto de Joseph era de pano enrolado e não de pele. Mas mesmo assim, com a violência e cadência brutal que ele dera às chicotadas ficou com o corpo todo negro e vergastado. A reacção dela foi de instinto maternal. Protegeu o seu ventre encolhendo-se formando como que uma bola, recebendo as vergastadas nas costas, na cabeça, nas nádegas, nas pernas. Quando Joseph se cansou, sentindo-se impotente chorou que nem uma criança e saiu de casa ainda a noite ia alta indo em busca de consolo nos braços do soldado romano.

9. Já o dia ia a meio quando Joseph regressou. Ela não se tinha mexido. Cheia de dores ficara queda e muda, no chão frio e empoeirado de sua casa.
Joseph agarrou-a como se de um bebé se tratasse e colocou-a na cama.
Vinha diferente. Já tinha perdido a raiva, aparentemente, mas a sua cara ainda estava sulcada com o rio de lágrimas que deitara. “Peco desculpa, Mariah. Agi sem pensar. Devia saber que após um ano de casados e sem cumprir como homem irias buscar o que não tinhas, fora de casa” “Mas...” “Shhh, silêncio! Deixa-me terminar!” Disse Joseph fazendo com que Mariah se encolhesse toda com receio que a raiva voltasse ao seu homem. “Como a culpa foi minha eu aceito!” “O que aceitas, Joseph?” “A criança. Aceito a criança como se fosse minha. Não te vou repudiar aos olhos do povo porque senão, eras repudiada por todos, ou mesmo lapidada. Repudiar-te-ei somente eu, em segredo. Aos olhos de todos manteremos a mesma atitude. Mas no interior do lar dormiremos separados e não me dirigirás a palavra. A criança quando nascer será tratado como se meu filho fosse. Só quero saber uma coisa. Quem foi? Alguém que conheça? Um estrangeiro? Um... um... romano?” “Não sei!” disse Mariah “mas era extremamente belo... e tinha asas, como um anjo!!!” O silêncio abateu-se entre ambos...

10. Sentia-se quente, protegido, alimentado. Doce sabor, o do liquido que corria alimentando-o. Doce o fluxo que percorria o corpo que o protegia, fluindo pelo útero, na placenta, chegando a ele, morno e delicioso. Mesmo em fase embrionária já tinha uma consciência, uma alma, um sentido de vida. Sabia que aquela segurança não seria para sempre. Estava próxima a hora de nascer. Mas aquele doce sabor! Era irresistível!

11. Joseph não compreendia porque sua mulher mentia! “Como era possível?” pensava ele. Julgava ela que era néscio? Provavelmente fez o que ele já fazia há muito. Deitar-se com os romanos. ”Louca, era uma louca! Se fazia isso, porque falou com os pais? Devia ser para se deitar comigo, seu marido e assim disfarçar o seu pecado” Assim pensava ele. Mariah dormia profundamente quando uma pequena luz entrou no quarto. Assustado Joseph deu um pulo da cama e agarrou num pau, pensando que fosse uma espécie de insecto desconhecido para ele! O que seria aquilo? Pensava ele. Nesse momento a luz aumentou iluminando o interior da casa como se fosse de dia.
À sua frente apareceu ele! Sempre era verdade o que Mariah dissera! Era mais belo do que imaginara e exalava um perfume difícil de definir. Era algo que parecia fazer o mesmo efeito que o mel faz às moscas. “Joseph” disse ele, mas a sua boca não se movia, a voz que ouvia era dentro de sua mente. Quem era ele? Um anjo? Um demónio? As duas coisas? Deus? Algum Ente Superior? “Joseph, presta atenção. Mariah não estava a mentir. Nunca mais lhe toques como fizeste na noite anterior! Protege-a e a seu Filho e serás recompensado” “Mas quem sois? Um anjo? Um Espírito Santo?” “Chama-me como quiseres. Mas ouve e faz o que digo. A criança será a escolhida. Serás o princípio de uma Nova Era. E tu foste escolhido para seu pai na terra.” “Perdoai a minha ignorância e a minha curiosidade Senhor. Nunca pensei que Anjos se deitassem com mulheres!” “Há muita coisa neste mundo e no outro que o Homem não sabe! Limita-te à tua ignorância e pequenez. E ouve o que te disse” “Sim meu Senhor. E a minha recompensa? Falaste que seria recompensado!” “Sim, não te preocupes. Vais ter a tua recompensa.” Sorriu, tocou com suas longas e experientes mãos no corpo de Joseph como o fez com Mariah, abriu as asas de Arcanjo e deitou-se sobre ele! Entretanto, Mariah dormia profundamente a poucos metros deles!

12. Quando foi chamado uma onda de alegria invadiu o seu corpo!
Sabia que tinha cometido pecado. Sabia que poderia ser transformado em energia cósmica deixando de ser o Arcanjo, filho do Senhor, que era.
Mas ser chamado à Sua presença, após ter sido relegado para o mundo terreno dava-lhe esperança de regressar ao Éden.
O Senhor chamou-o, repreendeu-o, mas já tinha na mente um plano concebido. O Homem, fruto de uma experiência sua, tinha chegado a um momento fulcral da evolução como raça e devia ser tido em conta essa situação. Teria de fazer algo para que não perdesse a devoção do ser humano. E que não se voltassem para outros deuses. O Anjo caído, sem o saber, criou a oportunidade para que isso acontecesse. Já estava escrito no Livro do Destino. Mariah iria ter uma criança. Aos olhos do Homem, Mariah estaria imaculada, pura, virgem, porque nenhum olhar humano conseguiria ver o que um Arcanjo faz ao corpo de ser humano caso se deitem juntos no mesmo leito. Ele, anjo caído, Filho de Luz, Filho do Senhor era feito à sua imagem. Sendo assim ele era o Pai Celestial da criança, concebida através do Filho da Luz, Espírito Santo, Arcanjo do Senhor.
E a criança seria varão e começaria uma nova Era.
Mas mesmo ele, Senhor Celestial, não tinha meios de ver que poderes teria essa criança, fruto de uma mulher e de um Ente Celeste!

13. Nessa noite, Mariah e Joseph, foram novamente visitados pelo Filho da Luz, pelo Espírito Santo. Foi-lhes transmitido o que teria de ser feito. E assim ficaram a saber que Deus estava por detrás daquele acontecimento. Que Mariah estava nas graças do Senhor. O Ser de Luz teve de se conter para, após ter dado a Nova, não se lançar no corpo tentador de Mariah! Sabia que se o fizesse, desta vez Deus não o perdoaria.
Por seu lado, Joseph sentia-se tentado a ofertar seu corpo ao Ser de Luz!
Mas não sabia o que Mariah faria se descobrisse o seu segredo!
Nessa manhã pensaram ambos que sonharam. Contaram o “sonho” um ao outro e deslocaram-se a casa dos pais de Mariah para contar a Boa Nova! Explicaram o sucedido. A mãe de Mariah certificou-se e confirmou que a filha ainda era virgem! Todos se ajoelharam perante Mariah e rezaram a Deus!

14. Herodes era um rei poderoso. Pelo menos até aquele povo ter chegado. Fortes, poderosos, guerreiros, os Filhos da Loba subjugaram-no, transformaram-no num dócil cordeiro. Ainda se sentia um Rei com poder. Mas a mando de Roma. Nada conseguia fazer para os afastar das suas terras, por isso, declarou lealdade a Roma e tornou-se cidadão honorário. Como os filhos de Loba, Herodes gostava da carne. Dos prazeres e da tentação da carne. Prazeres esses trazidos pelo invasor estrangeiro para o seu território. Não podia ser tudo mau. Não havia noite que Herodes não passasse em orgias de sangue e sexo culminadas por um grande banquete onde ingeriam todo o tipo de iguarias! A sua preferida era a carne tenra de crianças do povo. Não havia sabor igual!

15. Já corria de boca em boca a vinda do Messias. Rezava uma velha lenda que haveria de chegar o Filho de Deus para expulsar o invasor estrangeiro e se tornar o rei de uma nova nação, de uma nova era. O boato começou quando Joseph, inadvertidamente, deixou escapar a situação numa das noites em que se deitou com o romano, soldado esse que tinha sido recrutado entre o povo daquele lugar. Não foram necessárias mais de 24 horas para que todos soubessem que algo estava para acontecer. E o boato chegou aos ouvidos de Herodes. Uma ameaça ao seu trono estava para breve!
E o jovem romano, crente nas tradições do seu povo, despojou-se das suas armas e roupas tornando-se o mensageiro da Boa Nova, espalhando aos ventos a chegada do Messias.
Numa noite em que ia a regressar a casa, cansado de pregar a Boa Nova, foi cercado por puros soldados romanos, que o reconheceram como tendo sido um deles.
A Lua estava cheia e a fome brilhava nos olhos dos guerreiros.
O Profeta ainda tentou esboçar a defesa, mas os Filhos da Loba caíram sobre ele, quais metamorfos esfomeados, não deixando nada do seu corpo. Saciados, regressaram ao forte sem que ninguém se tivesse apercebido de tal.

16. Herodes não gostava nada disso. Quis saber quem eram os pais da criança que tanto se falava. Ouvira dizer que era filho de um carpinteiro e de uma doméstica. Mas Joseph já calculava que algo iria acontecer e resolveu pegar na sua mulher e fugiram em busca da vida de seu filho.

17. Era apenas uma lenda. Um homem que nasceria de uma virgem e que seria concebido por um espírito, por um ser de luz. Esse Homem metade humano, metade divindade, seria o Rei dos Homens.
Mas essa lenda estava escrita no Livro do Destino. Era um livro em branco, no qual aparecia escrito, como que por artes mágicas, o que de importante iria acontecer na história da Humanidade. Quem o possuía sabia que só existia aquele livro e outro que era impossível de adquirir já que estava com o próprio Deus dos Homens.
Aquele tinha sido oferecido a Adão, antes de provar o pecado original. E era Belchior que o tinha. Graças ao livro, ele e seus dois irmãos governavam grande parte da que seria no futuro chamada de Ásia Central.
Eram seres muito antigos, meio homens, meio humanos. Seres poderosos que se movimentavam entre a Humanidade há séculos. Seres extremamente sábios e que podiam ter tudo o que queriam. Eram conhecidos pelos Reis Magos, dada o seu poder sobrenatural e a sua clarividência para prever o futuro. Tal como Jesus, nome escrito no Livro do Destino, eles eram filhos do homem e de seres de luz, viam no nascimento do Filho de Deus o surgimento de uma era em que eles se tornariam senhores do mundo.

18. A caminhada já ia longa. Apenas viajavam de noite para que ninguém desse por eles. Além de que de noite era mais ameno.
Joseph, dado o seu trabalho, conhecia quase toda a gente. Desde a ricos nobres a ladrões de estrada. Por isso se sentia confiante e em segurança pelas estradas, de noite. O problema eram os homens de Herodes, que procuravam algum sinal do nascimento do Menino ou alguém que lhes indicasse a mulher que estaria grávida do suposto Messias.
O dinheiro era pouco. Mal dava para se alimentarem em condições. Alugar um quarto ou contratar uma curandeira para o nascimento da criança era impensável.
Estavam às portas de Bethleém e tinham de arranjar um local para ficar, urgentemente. O tempo estava a terminar. Mariah poderia ter o bebé a qualquer momento.

19. Chegaram a uma gruta. Um local escuro e húmido que era usado por algum pastor para guardar os seus animais.
Desviou as pedras que tapavam o caminho e entrou com Mariah e o jumento que a transportava.
Fez uma cama com o feno que estava guardado no fundo da gruta.
Alguns animais que lá se encontravam remexiam-se e emitiam ruídos de incómodo e de receio por causa da presença daqueles estranhos!
A noite continuava iluminada.
Ele tinha de fazer o parto com o pouco que tinha à mão.
Já tinha observado como se procedia. Mas como homem nunca o tinha feito.
Mas sabia que Deus não o deixaria mal.
Mariah adormeceu, cansada da viagem.
Enquanto a observava muitas coisa lhe passou pela cabeça.
Tinha ali a oportunidade de se livrar daquele incómodo. De um filho que na verdade não era seu. Da vergonha que seria se alguém descobrisse que a criança não era da sua carne. Mesmo sabendo que era Filho de Deus. Mesmo sabendo que poderia ser castigado para toda a eternidade só por ter aquelas imagens na sua mente!
Ninguém sabia que estavam ali. Ninguém iria saber que teria sido ele a matar Mariah e o rebento que ela carregava.
Enquanto tinha esses pensamentos impuros, instintivamente sua mão agarrara uma pedra.
A loucura estava a apoderar-se dele!


20. Nesse instante uma estrela riscou o céu e estranhamente ficou a pairar por cima da gruta.
A suposta estrela libertava uma luz que acalmou os animais e a eles próprios.
A loucura de Joseph desapareceu por milagre!
Mas agora tinha receio que aquela luz atraísse visitantes indesejados.
Entretanto uma caravana passava à entrada da gruta. Joseph ficou assustado.
Das sombras observou a pequena multidão nas carroças.
Nenhum deles parecia se aperceber da luz!
Da estrela!
Era um sinal de Deus, Joseph soube-o naquele momento.
Era um sinal de Luz.
Entretanto no cimo da gruta o Anjo Alado tudo observava, emitindo uma luz calma e relaxante para que se sentissem confortáveis. Parecia uma estrela, tal o seu brilho!

Sabiam onde ia nascer. Estava escrito no Livro do destino. Partindo com um séquito enorme, tinham como destino a pobre Bethleém. Sabiam que quando chegassem ao local, haveria algo que seria como que um sinal. Algo que lhes diria que era ali que estava Jesus, o Salvador!
Partiram atempadamente. Sabiam que tinham de percorrer estradas e lugares inóspitos durante semanas, para lá chegar. Talvez até meses.
Mas se o Livro estivesse correcto valeria a pena.
Levavam prendas. Presentes que seriam importantes para o momento. E simbólicos. Cada um dos presentes representava algo místico.
Levavam ouro, incenso e mirra.
Se não fossem as oferendas, teriam viajado sós e chegariam em poucas horas ao local, dado os seus poderes. Mas tão carregados como estavam não podiam prescindir do séquito.

Nesse momento rebentaram as águas de Mariah.
Joseph adormecera com a calma emanada pelo Espírito Santo.
E Mariah, incrivelmente, também dormia!
Quando acordaram o nascimento já tinha sido consumado!
Ele nascera e dormia nos seus braços.
Joseph acordou e ficou maravilhado com o estranho halo de luz que irradiava do corpo do menino.
Entre eles encontrava-se um pastor.
Tinha chegado enquanto dormiam. Ficara admirado ao ver estranhos na gruta onde guardava os animais.
E assistiu a tudo!
Nunca disse o que vira, porque perdera o dom da voz!
Mas o que viu maravilhou-o! E fê-lo acreditar no Filho de Deus!

Entretanto os reis magos chegaram. Vinham sós, sem o séquito para não levantar suspeitas!
Tinham estado na noite anterior a pernoitar no palácio de Herodes.
O Rei quando soube da chegada deles fez questão em recebê-los.
Encheu-os de mordomias só para lhes poder tirar a confissão de onde o Filho de Deus ia nascer.
Mas os Reis Magos, que já tinham ouvido falar de Herodes e sua crueldade, não se deixaram enganar.

No dia seguinte partiram como se fossem explorar aquela terra distante, levando apenas meia dúzia de criados.
Disfarçados nos alforges, levavam o ouro, incenso e mirra.
Herodes deu ordens para que os seguissem.
Mas estranhamente os soldados foram numa direcção oposta à dos Reis Magos!
Eles já sabiam que Herodes ia persegui-los, por isso, por artes mágicas ludibriaram os seus perseguidores!

Já era noite quando chegaram à gruta.
Viram o Espírito Santo a iluminar o local do Filho Divino!
Joseph e Mariah tiveram algum receio quando os viram chegar, mas Belchior disse para que nada temessem.
Apenas iam para adorar o Filho de Deus e deixar oferendas.
Nunca se soube o que disseram ou o que falaram, mas após a visita do Reis Magos, a Família seguiu na direcção do Egipto.
Levaram as oferendas com eles, junto com os criados que as traziam.
Herodes ainda mandou matar todos os recém nascidos para que o Filho de Deus fosse com eles, mas o que apenas conseguiu foi carne para as suas vis orgias de sangue.
E durante trinta anos ninguém soube o que era feito do carpinteiro Joseph e sua mulher.
Ainda se comentou que teria matado Mariah, escondera seu corpo e fugira para o Egipto.
Mas eram só boatos.
Durante trinta anos a profecia voltou a cair no esquecimento.
Até à chegada de um belo e sábio jovem com a sua família.
Seu nome era... Afonso!

5 comentários:

Teté disse...

Bom, só não tinha lido o último capítulo, de modo que foi fácil... :)

Beijoca!

A Senhora disse...

Eu estava esperando o último dos últimos também!
Muuuuito bom! :)

beijinhos e boa semana!

Roderick disse...

Tété. Eu já os numerei para facilitar!

Roderick disse...

Senhora, o último dos últimos da primeira parte, claro.
Beijos

o¤° SORRISO °¤o disse...

Oi Roderick.

Só o finalzinho é que eu não conhecia.
Foi ótimo, assim quem não leu antes, não precisa ficar procurando os posts e começa a seguir seu conto como uma novela da TV.
Excelente!!




♥.·:*¨¨*:·.♥ Beijos mil! :-) ♥.·:*¨¨*:·.♥




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